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Entrevista com Anderson Oliveira

  • 24 de ago. de 2015
  • 3 min de leitura


Dados do entrevistado:

Nome Completo: Anderson Vieira de Oliveira

Idade: 30 anos

Profissão: Atleta da Equipe SESI Suzano

Deficiência: Síndrome do corno anterior da medula

Tipo de deficiência: Adquirida.

Sobre:

Anderson de Oliveira adquiriu a deficiência aos dois anos de idade. Apesar de todas as dificuldades que enfrentou, hoje ele é atleta e campeão paralímpico de bocha adaptada na classe BC3.

Foi campeão brasileiro em pares e equipes no ano de 2013 e duas vezes campeão Regional, nos anos de 2012 e 2014.

Já participou de vários campeonatos internacionais, nos quais teve oportunidade de viajar duas vezes ao Canadá, e uma vez para China e EUA.

Segue a entrevista com o Campeão:

Rebeca Suzuki: Anderson, qual foi a sua motivação para entrar no esporte e continuar com ele até os dias de hoje?

Anderson Oliveira: Bom, quando eu entrei foi através da minha irmã; ela veio fazer um teste aqui no SESI, e ela estava andando com a minha mãe na rua, e aí uma professora de natação parou elas e chamou para vir fazer um teste aqui. Aí, a minha irmã veio, acabou me indicando também, e até então a minha rotina era ir à igreja e tocar com a banda, e conforme a gente chegou aqui, os treinos, as competições, aquela coisa de sempre querer melhorar, isso foi dando motivação. Acho que isso é a maior motivação. Enfim, saber que Deus está dando condições todos os dias para a gente vir treinar e dar o melhor da gente.

Rebeca Suzuki: Você já fez quantos jogos fora do Brasil?

Anderson Oliveira: Quantos jogos? É difícil... Acho que mais de 100.

Rebeca Suzuki: Para quais países?

Anderson Oliveira: Canadá, duas vezes; uma num torneio aberto (open) e Copa América, também no Canadá, e o Mundial na China.

Rebeca Suzuki: Você já é campeão?

Anderson Oliveira: Sim, eu fui campeão de pares, junto com a minha irmã e a Solange, nossa outra atleta BC3, e fui duas vezes campeão regional.

Rebeca Suzuki: Você disse que tocava numa banda. Ainda continua?

Anderson Oliveira: Não, a banda terminou. Eu mudei de igreja e a banda terminou mesmo antes de ter mudado de igreja. Só que de vez em quando eu ainda pego o teclado e consigo "fazer alguns barulhos"

Rebeca Suzuki: E você sempre gostou dessa parte musical?

Anderson Oliveira: Sempre. Quando a gente era criança, os meus pais deram de presente para a minha irmã, um teclado, mas ela não se interessava muito por teclado, ela sempre gostou mais de violão. Aí o teclado ficou lá parado, mas eu sempre percebia que (na minha infância eu escutava muito rádio) e o teclado estava lá parado e eu sentia uma vontade de tocar, sentia que a música ficava na minha cabeça, e enfim, se eu pegasse o teclado eu conseguiria executar as músicas.

Rebeca Suzuki: Você sempre teve essa cadeira motorizada que tem hoje?

Anderson Oliveira: Não, eu tenho essa há um pouquinho mais de 5 anos. Até então eu ia para a igreja com a cadeira manual, os irmãos da igreja levavam a gente.

Rebeca Suzuki: Isso ajudou você?

Anderson Oliveira: Ajudou bastante. Praticamente eu terminei o Ensino Médio tendo o benefício de usá-la para me locomover até a escola, que era perto de casa, mas ia ter a dificuldade da minha mãe ou o meu pai ficar levando até a escola, e com essa [cadeira de rodas motorizada] a gente chegava do trem e já ia para a escola. Deu para terminar todo o Ensino Médio com ela.

Rebeca Suzuki: Quais são seus próximos objetivos?

Anderson Oliveira: Próximos objetivos... Nesse momento, aguardando talvez uma convocação para as Paralimpíadas do ano que vem, sei que a disputa não é fácil, a minha irmã também está na disputa comigo por uma vaga, mas se não for da vontade de Deus, é continuar trabalhando para que no Japão, em 2020, se não me engano, eu tenha condição de estar lá também.

Rebeca Suzuki: Obrigada pela atenção e pela participação.

Anderson Oliveira: Eu que agradeço. Tchau, tchau!

 
 
 

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