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Entrevista com Evelyn Oliveira - Parte I

  • 23 de ago. de 2015
  • 4 min de leitura


Dados da entrevistada:

Nome Completo: Evelyn de Oliveira

Idade: 28 anos

Profissão: Atleta da equipe SESI e Universitária

Deficiencia: Síndrome do corno anterior da medula

Tipo de deficiência: Congênita

Sobre:

Evelyn Oliveira é uma atleta do bocha paralímpico. Ela pertence à classe BC3 e foi Campeã Paulista e Campeã Brasileira no ano de 2014.

Neste ano de 2015, participou da Copa América, que foi realizada em Montreal, no Canadá, na qual o Brasil conquistou um ouro e duas pratas.

Além de ser atleta, Evelyn faz faculdade de Publicidade e Propaganda na UMC e seu sonho é poder fazer jornalismo. Também é palestrante e em suas palestras sempre deixa sua principal mensagem: a de superação.

Segue a entrevista com esta estrela:

Rebeca Suzuki: Evelyn, o que te motivou a entrar no esporte e continuar com ele todos os dias?

Evelyn Oliveira: Bom, o esporte foi uma grande oportunidade na minha vida. Antes de eu ingressar aqui no SESI - eu estou aqui no SESI desde 2010 - eu era estudante do Ensino Médio, eu entrei aqui quando eu tinha 22 anos e estava terminando o Ensino Médio. Eu tereminei bem tarde porque não consegui ingressar na escola na infância, porque no caso eu tenho uma deficiência congênita, então eu já nasci com a deficiência e no meu período de infância - eu tenho um irmão deficiente também, com a mesma deficiência, só que ele desenvolveu com 2 anos e eu já nasci com a deficiência, nunca cheguei a andar, meu irmão andou até um ano e meio - e quando a gente chegou no período de infância, os meus pais tentaram colocar a gente na escola, só que as escolas não aceitaram, porque naquele tempo, o preconceito, a falta de estrutura era bem maior. Hoje a gente já tem uma grande melhoria nisso, já tem muitos deficientes em escolas, estudando, ainda não tem aquela estrutura que a gente gostaria, mas hoje já é bem diferente do que era há 20 anos atrás. Então, eu não conseguia ingressar na escola, alguns diretores falavam para a minha mãe que se ela me colocasse ali, os outros pais tirariam os filhos deles - E era uma coisa engrançada, assim, porque quando era criança, a minha estética era normal, eu não aparentava ter nenhuma deficiência, a unica coisa que causaria curiosidade é que eu só me locomovia no colo, mas a minha estética era normal - Então, naquele momemento, os meus pais decidiram não expor a gente ao sofrimento, não insistiram, tentaram escolas públicas, particulares, nenhuma aceitou, então eles pensaram: "Bom, então vamos trabalhar e dar o melhor para eles" e eles alfabetizaram a gente, quando eu tinha 7 anos eu já lia, já escrevia, já sabia fazer contas e tudo - Então eu só consegui ter acesso à escola aos 18 anos. No caso eu fiz suplência. Fiz todo o ensino fundamental até a 8° série e o ensino médio eu fiz em 3 anos e meio.

Então, quando eu entrei aqui - eu conheci o SESI bem por acaso, só fazia o ensino médio, estava no finalzinho do ensino médio, e eu tinha uma cadeira manual, e eu estava andando na rua, com a minha mãe, passeando próximo ao shopping, aí uma professora daqui passou por mim duas vezes, ela estava de carro, aí ela me parou e perguntou se eu conhecia o projeto paralímpico do SESI, falou que tinha projetos para pessoas com deficiência e [perguntou] se eu conhecia; eu disse que não, e ela me deu o telefone do coordenador, da nossa técnica, a Raquel, e aí eu liguei, fiquei conhecendo, fiz o teste com muito medo, porque eu achava que na minha condição eu não poderia fazer nada, porque a ideia que eu tinha de esporte era movimento, correr atrás de bolas, pular, então eu pensava: "sem chance". Eu pensava em nem ligar - era muito engraçado - No primeiro dia que eu cheguei para fazer o teste, eu lembro bem que eu cheguei para o coordenador e falei assim: "Ah, então. Eu vim conhecer, mas eu sei que não dá pra mim" - Tipo, eu não tinha nem feito o teste ainda e eu já estava dando o diagnóstico de que não daria pra mim. E ele falou: "Não, vamos fazer o teste, a bocha é toda adaptada" e tal.

E então, assim, quando eu tive acesso ao esporte adaptado, com todas as necessidades sendo atendidas, me deu uma ideia de possibilidades, de algo que seria possível. Quando eu entrei aqui eu tive muito forte essa ideia. Então hoje o que me motiva é que eu fui conhecendo várias coisas através do esporte, adquirindo várias coisas, a independência das pessoas, eu era assim, muito família, para qualquer lugar que fosse eu tinha que ir com o meu pai, com a minha mãe, e aí a gente passou a ter as primeiras competições, e então a gente viajava sozinho, e foi me dando a independência das pessoas. Eu fui vendo que eu poderia estar com outras pessoas e eu não precisaria estar só com o meu pai e a minha mãe. E a independência financeira, o fato de a gente viajar para vários estados, conhecer outros lugares, outras pessoas, outras histórias, isso tudo me motiva a continuar no esporte, e conforme eu fui conseguindo os resultados também, ficando sei lá, entre os 5, quando você chega entre os 5, já quer ficar entre os 4, quando você chega entre os 4 já quer estar entre os três, e quando você chega entre os três, já quer ser campeão. Então tudo isso vai te motivando e você vai estabelecendo metas. Eu fui campeã brasileira o ano passado, a minha meta esse ano é defender o título e continuar sendo a melhor BC3 do Brasil. Então, tudo isso vai motivando, hoje a gente tem trabalhos com escolas, onde a gente apresenta o esporte para as crianças, então a minha motivação também, além da parte financeira, além das metas, além de dar um estrutura para a minha família, é deixar um legad, é deixar uma mensagem positiva para estas crianças que hoje são alunas do SESI, de que em algum momento da vida, sei lá, pode acontecer alguma coisa que queira nos barrar, nos parar, trazer algum tipo de frustração, mas hoje, a minha motivação dentro do esporte é passar esta mensagem: que é possível superar.

Dentro do esporte eu vivo uma superação a cada dia, então hoje, a minha missão dentro do esporte, é passar essa mensagem: de superação.

 
 
 

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