top of page

Resenha crítica do filme "A Menina Índigo"

  • 1 de mai. de 2018
  • 5 min de leitura

Esta resenha pode conter spoilers, apesar de ser por uma boa causa. Leia por sua conta e risco]

“Deixe viver o amor”

Sofia (Letícia Braga) é uma menina de sete anos cujo maior prazer é pintar (com tintas) e sua cor preferida é azul índigo.

Ela sofre com as constantes brigas dos pais, que estão separados e discutem por não saberem lidar com algumas situações, o que influencia bastante no psicológico da garota, consequentemente, em suas atitudes, pois o maior sonho dela, é na verdade, ter uma família completa, com “papai e mamãe na mesma casa”.

Tendo morado três anos com a mãe, ela decide que quer passar a viver com o pai, após o mesmo tê-la buscado na escola. Neste dia, Sofia teve aula de artes, porém, não pintou nada em uma pequena folha de papel como os demais. Depois de todos saírem, ela se tranca na sala de aula, dizendo que sairá apenas quando terminar sua pintura. Acontece que ela “atirou” tinta por toda a sala, deixando-a toda colorida.

As pessoas ao redor viam isso como algo anormal, como uma rebeldia da criança ou uma estratégia de chamar a atenção de alguém. Essas hipóteses equivocadas (e que são as mais comuns de se ver, mesmo na vida real) surgem por não saberem o que realmente a menina tem, e os motivos pelos quais ela age daquela forma.

Na realidade, Sofia é portadora de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), um distúrbio neurológico que afeta o Sistema Nervoso Central (SNC).

Às vezes, algumas pessoas têm dificuldade de se expressar, por isso, nesse caso, o fato de ela “tacar tinta na parede”, não é nada mais do que uma maneira que ela encontra de expressar o que sente no momento. O que as palavras não conseguem dizer, a pintura o faz. Se ela está contente, vai pintar o que imagina, o que a deixa feliz, para depois mostrar ao pai e fazê-lo compartilhar de seu contentamento. Mas, se ela está com raiva, triste ou desapontada, vai jogar tinta pela parede sim, sem nem pensar duas vezes. De qualquer forma, essa é a manifestação de suas emoções naquele instante.

A protagonista é caracterizada como uma “Criança Índigo”. Tais crianças recebem esse nome, porque, segundo estudos, elas possuem a alma de cor azul-índigo. – Essa informação é mencionada no próprio filme – Uma curiosidade é que a cor azul índigo está associada à clarividência, à coordenação, e ao equilíbrio, e atribui-se a essas crianças o poder de serem clarividentes.

Logo no começo do filme, são apresentadas algumas características de uma criança índigo: tem uma maneira independente de pensar, tanto que a personagem Sofia se nega a receber ordens dos pais

Alguns tipos de reações são bastante naturais, sendo que uma das características dessas crianças é ter dificuldade de aceitar uma ordem se não for democraticamente orientada.

Por isso, precisam de muito amor e carinho para compreenderem as situações, entender a importância das coisas, como por exemplo, ir à escola ou fazer um dever, e saber seus os limites. Afeto e atenção são os pontos chaves para eles.

Essas crianças são extremamente inteligentes e tem capacidade de associar as coisas rapidamente, especialmente aquilo que dominam, e possuem sua própria forma de aprender e assimilar as coisas, um dos motivos pelos quais se negam a ir à escola, ou a aprender da forma “tradicional”.

Sensíveis e criativas, cada criança desenvolve em si uma determinada habilidade/talento, contudo, apesar da inteligência, são pessoas reclusas e com dificuldade de se socializar, apreciando a solidão e geralmente, fechando-se em seu quarto, retratando seus pensamentos, emoções e aspirações.

Em “A Menina Índigo”, o maior talento de Sofia se dá nas artes, principalmente a abstrata, no entanto, como mostrado na história, ela passa a maior parte do tempo pintando em seu quarto.

Se pensarmos de um outro ângulo, a arte abstrata é o tipo de arte que pode ser interpretada de várias formas, dependendo de quem a aprecia. Partindo desse pensamento, pra que a “perfeição” dos quadros quando cada um pode enxergar uma obra à sua maneira? Quebrar paradigmas da sociedade é uma das características mais marcantes das crianças índigos, trazendo consigo uma nova e alternativa forma de enxergar o mundo. Ao longo do filme, Sofia demonstra ter suas próprias opiniões e convicções do que pensa ser certo, do que prefere comer e por que, ou o que gosta de fazer.

São bastante sinceras e práticas, e valorizam o “aqui” e “agora”.

No longa-metragem dá para notar o quanto Sofia é uma garota positiva, que vive seu presente, cada dia como um único, e também, o quanto ela é honesta ao falar com seu pai, e por vezes, exige que ele faça o mesmo.

— Você precisa acreditar no que diz, papai

— E o que a sua mãe te diz?

— Ela diz: “Durma com seus anjinhos da guarda, filhinha”. Mas eu acho que ela não acredita muito neles.

A sinceridade de uma criança está nas pequenas coisas que diz ou faz, depois de observar através de sua sensibilidade, a maneira de agir e pensar das pessoas ao seu redor.

Sofia é a ilustre representação de uma “criança índigo”: afetuosa, amorosa, pensa no próximo, e tem grande empatia.

É bonito ver no filme como Ricardo (Murilo Rosa) trata sua filha Sofia amorosamente, dando-lhe a atenção e a compreensão da qual a menina necessita, e como ele consegue lidar com as situações, sempre tendo diálogos harmoniosos, de uma forma calma, a fim de entender cada vez mais o modo diferenciado de pensar da garota, passando a enxergar as situações sob uma outra perspectiva, e reconhece a habilidade que a menina tem para a pintura.

Ao mesmo tempo, nas conversas de pai e filha, ele a faz compreender sobre alguns assuntos, como o fato de ter os pais separados (o que entristece muito a garota).

E, nessa troca de informações, pontos de vista e muito aprendizado, a partir da convivência do cotidiano, formam-se e intensificam-se os laços de amor entre ambos, com momentos mais sérios e reflexivos, até momentos de pura diversão, repletos de alegrias e cores.

Me emocionei em várias partes do filme, nas conversas dos dois, à medida que Sofia revelava seus pensamentos. Em algumas situações, me identifiquei bastante com ela, e a cada cena, me admirava com os dizeres da garotinha. Cheguei a pensar que se todos nós fôssemos tão puros tal como ela, o mundo estaria bem melhor!

O pai possui a sensibilidade que a mãe inicialmente não tem. Enquanto o pai a enxerga como uma menina normal de 7 anos, a mãe a vê como uma criança que precisa ser protegida para que possa ter uma vida normal. No começo, a mãe da garota é um tanto dura, e não consegue lidar com a pequena. A “dureza” que carrega em sua maneira de agir é devido à que ela esconde para si o segredo de que Sofia tem o poder da cura, criando um grande boato a respeito de que a menina possui habilidades milagrosas, a ponto de ser exposta em uma matéria de revista e na televisão.

A “habilidade mágica” à qual os conhecidos se referem, no entanto, não é nada “mágico”, como algo surreal. Trata-se do dom do amor de uma criança, devido à sua extrema pureza, capaz de trazer boas energias a quem está ao redor.

No fim, Sofia traz de volta e à tona, a capacidade de as pessoas acreditarem (em algo ou alguém) e os devidos valores da compaixão, compreensão, esperança e afeto, mas principalmente, do amor.

Por isso...

“Deixe fluir o amor, deixe viver o amor

 
 
 

Comentários


Posts Destacados
Procure por Tags
SIGA
  • Facebook Clean
  • Twitter Clean
  • Instagram Clean
  • YouTube Clean
  • RSS Clean
Posts Recentes
bottom of page